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Peça do Mês de Fevereiro

Alcobaça, 07/02/2014

Santa Escolástica

Bento Coelho da Silveira

Óleo sobre tela, c. 1690

Madeira policromada e estofada

Mosteiro de Alcobaça, Sacristia Manuelina

 Santa Escolástica nasceu em Núrsia, Itália, cerca de 480; morreu a 10 de Fevereiro de 542.

 Irmã de S. Bento de Núrsia, fundador da Ordem de S. Bento, foi abadessa do Mosteiro de Plumbariola, que terá fundado e que as fontes apontam como o primeiro mosteiro “beneditino” feminino.

 Escolástica, como muitas outras jovens da sua época, foi consagrada a Deus ainda muito jovem. S. Gregório Magno refere-se-lhe como “monja”, o que, no século VI, significava que, ao invés da maioria das  virgens consagradas, que continuava a residir em casa de seus pais, Escolástica viveria num espaço consagrado, isto é, num mosteiro.

 Nascidos numa família abastada, os dois irmãos foram enviados para Roma, a fim de completarem a sua educação. Esta experiência de vida foi fundamental na dedicação de ambos ao exercício da Contemplação, a leitura e meditação sobre os textos sagrados que Bento de Núrsia consagraria na fórmula Ora et Labora que identifica a Regra da ordem monástica que viria a fundar, a Ordem de S. Bento.

 S. Gregório (Diálogos, Livro II) fala de Escolástica a um dos seus discípulos como de um exemplo perfeito da grandeza do “Amor de Deus”.

 Segundo a narrativa, os dois irmãos costumavam reunir-se uma vez por ano, numa casa próxima do mosteiro de Subiacco, para falarem de Deus, comentando as leituras sagradas e cantando-Lhe Hinos. Quando chegou a noite, Bento despediu-se de sua irmã, preparando-se para regressar ao mosteiro. Escolástica pediu-lhe que ficasse, mas o irmão recusou, uma vez que não lhe era permitido pernoitar fora. Escolástica, então, baixou a cabeça sobre a mesa e orou. De repente, rebentou uma tempestade tão violenta que tornou impossível o regresso de Bento. Questionando a irmã sobre o que fizera, Escolástica respondeu-lhe “Quando te implorei que ficasses, não me ouviste, então, rezei a Deus e Ele ouviu. Ele ouviu a minha oração.” E Bento teve que pernoitar. S. Gregório termina a lição citando 1Jo 4,16: “Deus é Amor”.

Escolástica morreu três dias depois e quando S. Bento olhou pela janela da sua cela,  teve uma visão da alma da irmã na forma de uma pomba entrando no céu. Pouco depois,  chegou um mensageiro com a notícia da morte de Escolástica. Bento ordenou que trouxessem o corpo para o mosteiro e sepultou-a no túmulo que fizera para si próprio. Segundo a tradição, Bento morreu pouco tempo depois. 

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 A presente obra integra um par que representa as irmãs de S. Bento e S. Bernardo, respectivamente Santa Escolástica e Santa Umbelina. Expostas na Sacristia Manuelina do Mosteiro de Alcobaça desde data desconhecida, foram retiradas de exposição no âmbito da campanha de obras do Estado Novo. Ocupam, desde 2012, o seu primitivo local de exposição, ladeando a entrada na Capela Relicário.

Santa Escolástica surge numa representação que fixa a sua condição de abadessa, de hábito beneditino e báculo, mas desprovida daqueles que são os seus atributos mais comuns, a pomba e o livro.

A obra é atribuída a Bento Coelho da Silveira (1620-1708). Desconhece-se o contexto em que foi produzida, nomeadamente se se trata de uma obra encomendada para o Mosteiro de Alcobaça ou se estamos perante uma incorporação oriunda de um outro mosteiro cisterciense.  

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